Rodada de Negócios temática: o que é, quando usar e como montar
Rodada de Negócios temática reúne empresas em torno de um assunto, como inovação ou empregabilidade. Veja quando esse formato rende mais e como montar o seu.
Uma Rodada de Negócios temática é um encontro empresarial organizado em torno de um assunto, e não de um setor. Em vez de reunir todas as empresas de moda ou de tecnologia, ela junta quem tem interesse no mesmo tema: inovação, empregabilidade, sustentabilidade, exportação, sucessão familiar.
O funcionamento é o de qualquer rodada. Cada participante tem um tempo definido para apresentar o que faz e o que procura, as mesas trocam de composição a cada rodada e, ao fim, as empresas saem com uma lista de conversas que valem um retorno. O que muda é o filtro da sala.
Qual a diferença entre rodada temática e setorial
A confusão é comum, e a distinção é simples.
Na rodada setorial, o critério é o ramo de atividade. Reúnem-se empresas de festas e eventos, ou do mercado financeiro, ou da construção. Todas falam a mesma língua técnica e muitas são concorrentes diretas.
Na rodada temática, o critério é o interesse. Em uma rodada sobre inovação cabem uma indústria, uma agência de tecnologia, uma universidade e um fundo de investimento. Elas não competem entre si, mas todas têm algo a dizer e a buscar sobre o mesmo assunto.
Essa diferença muda o resultado. A rodada setorial produz negociação dentro da cadeia. A temática produz combinações que ninguém tinha previsto, justamente porque coloca na mesma mesa quem normalmente não se cruza.
Quando o formato temático rende mais
O tema é a escolha mais importante do evento, e ele funciona melhor em quatro situações.
Quando existe uma pauta em alta na região. Empregabilidade depois de uma onda de demissões, energia solar depois de uma mudança de tarifa, exportação depois de uma variação no câmbio. O assunto atrai por si.
Quando o público é diverso demais para um corte setorial. Associações comerciais e coworkings vivem esse problema: os associados vêm de vinte ramos diferentes. O tema dá coerência a uma sala heterogênea.
Quando há um patrocinador com causa. Uma instituição de ensino patrocina naturalmente uma rodada sobre qualificação profissional. Uma fintech, uma rodada sobre crédito. O tema faz o patrocínio parecer conteúdo, e não anúncio.
Quando você quer repetir o evento. Um calendário anual de rodadas temáticas se sustenta melhor do que a repetição do mesmo encontro genérico, porque cada edição tem uma promessa nova.
Como escolher o tema sem errar
Três perguntas resolvem a escolha.
O tema tem oferta e demanda dos dois lados?
Um assunto em que todos querem vender e ninguém quer comprar não gera negócio. Antes de anunciar, verifique se há empresas com os dois papéis. Se o tema é energia solar, precisa haver instaladores e também quem consome energia em volume.
Ele é específico o suficiente para atrair e amplo o suficiente para lotar?
"Tecnologia" é vago e não convence ninguém a bloquear a agenda. "Automação de processos para indústrias de médio porte" é preciso, mas pode não encher a sala na sua cidade. O ponto de equilíbrio costuma estar em algo como "digitalização de pequenas empresas".
Você consegue explicar o tema em uma frase no convite?
Se o tema exige um parágrafo de explicação, ele ainda não está pronto. O convite precisa dizer em uma linha por que aquela empresa deve ir.
Como montar a rodada temática, passo a passo
O roteiro completo está no artigo sobre como organizar uma Rodada de Negócios. Os pontos que mudam no formato temático são estes.
Na inscrição, pergunte a relação com o tema. Além de nome, empresa, o que oferece e o que procura, inclua um campo sobre a ligação com o assunto do dia. É o que permite montar mesas em que cada pessoa tem um ângulo diferente do mesmo problema.
Misture papéis na mesma mesa. Uma mesa temática rende mais com um fornecedor, um comprador, um especialista e um curioso qualificado do que com quatro fornecedores concorrentes.
Considere uma abertura curta sobre o tema. Dez minutos de contexto alinham a sala e dão assunto para as primeiras mesas. Mais do que isso rouba tempo das conversas, que são o produto do evento.
Não deixe a repetição de encontros acontecer. Em uma sala pequena e de perfil parecido, o risco de duas pessoas sentarem juntas mais de uma vez é maior do que parece. E o custo é direto: aquele lugar na mesa era uma conexão nova que deixou de existir.
Garantir que isso não aconteça é trabalho de conferência, invisível para quem participa e caro para quem organiza fazer à mão. É justamente esse trabalho que o software assume, e é o que separa uma rodada bem organizada de uma sequência de conversas repetidas.
O erro mais comum: tema no cartaz, sorteio na mesa
Muita rodada temática anuncia um assunto e depois distribui as pessoas por sorteio. O participante chega esperando conversar sobre exportação e senta com três empresas que não exportam nada.
O tema só cumpre a promessa se a distribuição respeitar o que cada um declarou na inscrição. Sem isso, o assunto vira decoração do convite.
O que medir depois
Uma rodada temática se prova com números simples: quantas empresas participaram, quantas reuniões aconteceram, quantas conversas geraram retorno na semana seguinte. Esses dados sustentam a próxima edição na conversa com patrocinadores e com quem vai se inscrever de novo.
Se você está começando, vale ler também o artigo sobre rodada de negócios corporativa, que aplica a mesma lógica dentro de uma única empresa.
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